Energia positiva contínua

Thinley Norbu Rinpoche (Tibete, 1931 - EUA, 27/12/2011)

Thinley Norbu Rinpoche (Tibete, 1931 – EUA, 27/12/2011):

Se acreditamos na continuidade da mente, então o amor discretamente nos conecta com aqueles que amamos, com energia positiva contínua, de modo que mesmo separações tangíveis entre as pessoas que se amam, não reduzem o poder intangível do amor.

do blog quietamente

(não haverá posts em janeiro. Até fevereiro!)

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Aquietai-vos

Thich Nhat Hanh

Thich Nhat Hanh (Vietnã, 1926 ~):

Está escrito nos Salmos: “Aquietai-vos e sabei que sou Deus”. “Aquietar-se” significa ficar tranquilo e concentrado. O termo budista é samatha (parando, acalmando-se, concentrando-se). “Saber” significa adquirir sabedoria, insight ou entendimento. O termo budista é vipasyana (insight, ou examinando em profundidade).

“Examinar em profundidade” significa observar algo ou alguém com tanta concentração que a distinção entre observador e observado desaparece. O resultado é o insight da verdadeira natureza do objeto. Quando examinamos o coração de uma flor, vemos nele as nuvens, a luz do sol, os minerais, o tempo, a terra e todas as outras coisas que existem no universo. Sem as nuvens não poderia haver chuva, e não existiria nenhuma flor. Sem o tempo a flor não poderia desabrochar.

Com efeito, a flor é totalmente formada por elementos que lhe são extrínsecos; ela não possui uma existência independente e individual. Ela “interexiste” com todas as outras coisas no universo. Interexistência é um novo termo, mas estou certo de que em breve ele estará nos dicionários por se tratar de uma palavra extremamente importante. Quando percebemos a natureza da interexistência, as barreiras entre nós e os outros se dissolvem, e a paz, o amor e o entendimento tornam-se possíveis. Onde quer que exista o entendimento, nasce a compaixão.

Assim como a flor é formada por elementos que lhe são extrínsecos, o budismo é composto apenas por elementos não-budistas, inclusive cristãos, e o cristianismo é formado por elementos não-cristãos, inclusive budistas. Temos diferentes raízes, tradições e maneiras de perceber as coisas, mas compartilhamos as qualidades comuns do amor, do entendimento e da aceitação.

Para que nosso diálogo seja aberto, precisamos abrir nossos corações, pôr de lado nossos preconceitos, ouvir profundamente e representar verdadeiramente o que sabemos e compreendemos. Para fazer isso, precisamos de certa quantidade de fé. No budismo, ter fé significa ter confiança na nossa habilidade e na habilidade dos outros de despertar para a mais profunda capacidade de amor e entendimento. No cristianismo, ter fé significa confiar em Deus, Aquele que representa amor, compreensão, dignidade e verdade.

Quando estamos em quietude, olhando profundamente e entrando em contato com a fonte da nossa verdadeira sabedoria, entramos em contato com o Buda vivo e o Cristo vivo que existe dentro de nós e em cada pessoa que encontramos.

“Vivendo Buda, Vivendo Cristo”, cap. 1

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Prazer e felicidade

Matthieu Ricard (França, 1946 ~):

Apesar de ser intrinsecamente diferente da felicidade, o prazer não é inimigo dela. Tudo depende da maneira como é vivido. Se o prazer está contaminado com um forte desejo e impede a liberdade interior, dando origem à avidez e dependência, é um obstáculo à felicidade. Por outro lado, se é vivido no momento presente, num estado de paz interior e liberdade, o prazer adorna a felicidade sem obscurecê-la.

Uma experiência sensorial agradável, seja ela visual, auditiva, tátil, olfativa, seja gustativa, não estará em oposição a sukha* a menos que esteja maculada pelo apego e gere avidez ou dependência. O prazer torna-se suspeito quando provoca uma necessidade insaciável de repetição.

Por outro lado, quando é vivido perfeitamente no instante presente, como um pássaro que cruza o céu sem deixar nenhum rastro, o prazer não aciona nenhum dos mecanismos de obsessão, sujeição, fadiga ou desilusão que costumam surgir quando experimentamos essas sensações.

O desapego, como sabemos, não é uma rejeição, mas uma liberdade que prevalece quando deixamos de nos atar às causas do sofrimento. Em um estado de paz interior, com conhecimento lúcido de como funciona a nossa mente, um prazer que não obscurece sukha não é indispensável nem temível.

“Felicidade”, cap. 4

* sukha: (sânscrito) êxtase espiritual. Nesse livro, o autor usa o termo em um sentido de “felicidade e plenitude verdadeiras”

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Base das atividades

Dalai Lama (Tibete, 6 de julho de 1935 ~):

No dia-a-dia, se você viver uma boa vida, honestamente, com amor, com compaixão, com menos egoísmo, então, automaticamente, isso vai conduzir ao nirvana. [...] Devemos implementar esses ensinamentos na vida diária. Se você acredita ou não em Deus não importa tanto; se você acredita ou não em Buda não importa tanto; como budista, se você acredita ou não em reencarnação não importa tanto. É preciso viver uma boa vida.

E uma boa vida não significa apenas boa comida, boas roupas, boa casa. Isso não é suficiente. O que é preciso é uma boa motivação: compaixão, sem dogmatismo, sem filosofias complicadas; apenas compreender que os outros são seres humanos irmãos e irmãs e respeitar seus direitos e sua dignidade humana.

Poder ajudar uns aos outros é uma de nossas capacidades humanas únicas. Devemos nos abrir para o sofrimento das outras pessoas; mesmo se você não puder ajudar com dinheiro, mostrar preocupação, dar apoio moral e expressar simpatia são coisas valiosas por si mesmas.

Essa é que deve ser a base das atividades; se chamam isso de religião ou não, não importa. [...] Em minha simples religião, o amor é a motivação-chave.

“Kindness, Clarity and Insight”
(Dharma Quote of The Week – Snow Lion, 18/11/2011)

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Aflição-raiz

17º Karmapa (Tibete, 1985 ~):

A prática do Dharma é pacificar as aflições e conceitos que preenchem nossas mentes. Quando unimos os ensinamentos com nossas mentes, o poder do Dharma pode agir e pacificar aflições e conceitos.

Se, externamente, parecemos praticantes do Dharma mas, por dentro, nossa prática não reduziu nossas aflições e conceitos, apenas dizemos que somos praticantes, sem realmente ser. Isso não quer dizer que o comportamento externo, nosso reflexo no mundo, não seja importante, mas o crucial é o treinamento em domar nossas mentes.

O que domamos são as três aflições principais: ignorância, apego e aversão. A ignorância — a raiz das outras duas — é definida como uma fixação contínua no nosso eu, que tomamos como algo permanente e independente. Esse apego ao ego é a causa principal de estarmos vagando em círculos no samsara.

Desejamos estar no paraíso para nossa própria vantagem, desejamos apagar todo sofrimento para nossa própria vantagem. Nos agarramos a esse nosso eu, pensando que ele é tão especial que nem devemos nos preocupar com problemas mas apenas desfrutar de prosperidade, poder e carisma. Se observarmos honestamente nossas próprias mentes, é bem fácil ver esse tipo de apego grosseiro e óbvio a um ego.

Há também formas sutis de fixação no ego (“eu”) e no que pertence a ele (“meu”), como o rápido pensamento sobre nós mesmos antes que outro venha. Ao praticar o Dharma, domamos esses apegos sutis e grosseiros ao ego. Se isso não acontecer, só seremos capazes de meramente suprimir as aflições temporariamente, nos distanciando por algum tempo. Para cortá-las completamente, precisamos nos aplicar com firmeza à prática.

Music in the Sky: The Life, Art and Teachings of the Seventeenth Karmapa
(Snow Lion – Dharma Quotes of the Week, 16/12/11)

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Barreiras contra o dharma

Chogyam Trungpa (Tibete, 1939 – Canadá, 1987):

Tanto faz se você é uma pessoa bondosa, neutra ou agressiva, quando começa a se relacionar com o dharma, com os ensinamentos, você sente que há uma grande barreira, uma grande cerca, entre o dharma e você, que evita que você se encaixe nos ensinamentos ou se comunique com eles.

Quando você começa a abrir os portões e a derrubar os muros, pela primeira vez começa a entender que a piada era sobre você o tempo todo. Acumular munição e construir cerca atrás de cerca foi a sua viagem, sua criação, em vez de algo realmente acontecendo fora. Desperdiçamos tanta energia e recursos nessa viagem.

Quando começamos a compreender que a piada era sobre nós, criada por nós, então estamos de fato seguindo o dharma, seguindo nossa mente de acordo com o dharma.

“The Collected Works of Chogyam Trungpa”, vol. 2, “Aggression”
(Ocean of Dharma Quotes of the Week, 01/12/11)

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Verdadeira benção

Tulku Urgyen Rinpoche (Tibete, 1920 — Nepal, 1996):

Pergunta: Estava pensando se Rinpoche poderia explicar exatamente o que são “bençãos”?

Tulku Urgyen Rinpoche: O que as pessoas geralmente chamam de bençãos são o que eu chamaria de “bençãos superficiais”. É como quando você quer se livrar de algo e pede: “Por favor, abençoe-me para que eu fique livre daquilo que não gosto”, pode ser uma doença ou dor, espíritos malignos te atacando, sua empresa não vai bem etc…

Então, as pessoas pedem algo para usar no pescoço, algo para ingerir, talvez algum encanto para se executado e tudo mais. Assim, quando elas se sentem melhor, quando os espíritos malignos são repelidos, a empresa vai bem ou seja lá o que for, eles dizem: “Recebi as bençãos”. Essas são chamadas de “bençãos superficiais”.

Por outro lado, as verdadeiras bençãos são as instruções orais sobre como se iluminar em uma única vida, que você pode receber de um mestre qualificado.

Do blog Blazing Splendor

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Diligência na ação

Patrul Rinpoche

Patrul Rinpoche (Tibete, 1808-1887):

Mesmo que tenhamos todas as intenções de estudar e praticar o Dharma, podemos ficar adiando para amanhã ou depois de amanhã, dia a dia, por toda a vida. Devemos evitar desperdiçar toda uma vida humana em eternos planos de praticar. Druk Pema Karpo disse:

A vida humana é como estar em um abatedouro:
a morte se aproxima a cada segundo.
Cuidado com as lágrimas e arrependimento no seu leito de morte
se você, sem pressa, adia o de hoje para amanhã!

Não espere mais um segundo para praticar. Entre em ação imediatamente, como um covarde que encontra uma cobra no colo ou uma dançarina cujo cabelo acabou de pegar fogo. Abandone totalmente as atividades mundanas e devote-se agora mesmo à prática do Dharma. Caso contrário, você nunca encontrará tempo; uma atividade mundana virá atrás da outra, infindavelmente, como as ondas na água. As atividades só cessarão quando decidirmos pôr-lhes fim de uma vez por todas. Como diz o Onisciente Longchenpa:

As preocupações mundanas não cessam até a morte.
Mas terminam quando as abandonamos; tal é a natureza delas.

e:

Nossas atividades são como brincadeiras de crianças;
duram enquanto brincamos e terminam assim que paramos de brincar.

Quando sentir o desejo de praticar o Dharma, não deixe que a preguiça ou a procrastinação o dominem nem por um instante. Comece a praticar imediatamente, estimulado pela ideia da impermanência. É isso que é diligência na ação.

“As Palavras do Meu Professor Perfeito”, 2ª parte | cap. 2 | III | 2.4.2

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Nada a esperar, nenhuma queda a temer

Nyoshul Khen Rinpoche

Nyoshul Khen Rinpoche (Tibete, 1932 – França, 1999):

Todos os pensamentos, sentimentos, emoções, percepções, sensações, estados da mente, conceitos e tudo mais são como nuvens no céu, momentaneamente se reunindo e depois dispersando, se dissolvendo de volta exatamente nesse mesmo espaço. Que bem pode haver em se apegar a isso? Que bem pode haver em tentar se afastar disso?

Tudo é a exibição ilusória, milagrosa, como um sonho, da própria mente de alguém. Não há nada especial a se fazer sobre isso, exceto reconhecer sua natureza verdadeira, sua vacuidade, e ser livre dentro do que quer que pareça surgir.

Não é necessário julgar experiências e pensamentos como bons ou ruins, como desejáveis ou indesejáveis, proveitosos ou improveitosos. Deixe apenas ir e vir do modo como é, sem se envolver demais, sem se identificar com nada, nem cedendo nem seguindo, nem suprimindo nem inibindo. Simplesmente deixe todas as coisas internas e externas aparecerem e desaparecerem à sua própria maneira, apenas como nuvens no céu, e permaneça acima e além disso tudo, mesmo no meio das atividades e responsabilidades diárias.

Há tantas coisas para se fazer neste mundo, mas há apenas uma coisa que uma pessoa precisa conhecer, e isso é a sua própria natureza. Esse é o medicamento universal, a panaceia que cura todos os males e doenças. O que quer que vem, também vai. A própria natureza, o ser fundamental de alguém, está além — não se afeta pelas manchas que surgem ou por fenômenos temporários. Não vem nem vai: permanece imutável. Ao reconhecer isso, a transcendência inata é vivenciada. Então, samsara e nirvana não significam nem esperança nem medo para o praticante; a dualidade não mais prevalece. Não há nada a esperar, nenhuma queda a temer.

Como Guru Rinpoche, Tilopa e Naropa, e o Mahasidda Saraha disseram: “Com objetos externos, não se preocupe. Com objetos internos (o próprio sujeito), não se preocupe. Sem olhar para fora ou dentro, deixe como é: vazio, livre e aberto. Não são os objetos externos que nos prendem, mas sim o apego interno que nos amarra.”

Essa é a instrução essencial dos mahasiddas da India e dos yogues realizados do Tibet. Ela é baseada nas palavras do próprio Buda Shakyamuni, que disse que a raiz de todo sofrimento é se agarrar, se apegar. Não há outro ensinamento além deste. Isso é a raiz de tudo. Esse é o princípio por trás de todas as diferentes explicações.

A sensualidade não está nos objetos, está na mente que deseja, no próprio desejo. O desejo preenche os objetos com a qualidade de serem desejáveis, com sensualidade e valor. De outro modo, o que é desejável de modo absoluto? Tudo depende da mente, do próprio condicionamento da pessoa; o que uma pessoa deseja e aspira, a outra pode repudiar e evitar a todo custo. Não é óbvio isso?

“Natural Great Perfection”, cap. 7

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Epítome da ilusão

Dilgo Khyentse Rinpoche


Dilgo Khyentse Rinpoche (Tibete, 1910 – Butão, 1991)

Um explorador que descobre uma ilha de tesouros pode encher seu navio de ouro, diamantes, safiras, rubis e esmeraldas. Mas sua boa fortuna nem se compara com a vida humana, que nos oferece algo muito mais precioso que qualquer ouro ou pedras preciosas — a chance de refletir e praticar o Dharma, dando sentido a nossas vidas. [...]

É agora, enquanto você desfruta de todas as condições favoráveis da vida humana, que você tem a liberdade necessária para praticar o Dharma. Ignorar tal oportunidade seria como um mendigo que pega uma jóia e, tomando-a como um pedaço de vidro, joga-a de volta na sujeira.

Pior ainda seria realmente compreender o valor da vida humana e desperdiçá-la conscientemente em distrações e a perseguição de ambições mundanas — essa é a epítome da ilusão. O explorador que retorna da ilha de tesouros de mãos vazias teria cruzado os oceanos em vão. Não cometa tal erro.

“The Hundred Verses of Advice”, v. 78
(Os Cem Conselhos de Padampa Sangye)

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Comentários

  • luiz sergio: Onde podemos encontrar a plena lucidez,a plena atenção, o amor,...
  • luiz sergio: E se estamos a todo o momento com a atenção voltada para a...
  • Evandro Néry: Na verdade sentimos a presença de Deus na própria natureza, na...
  • luiz sergio: Andréa, me interesso muito pelo budismo, mas, sem querer ter...
  • Baby Bonomo: Quero e vou chegar lá… Obrigada pelo texto.
  • alessandra perez gom: Mto interessante!!Tenho perquisado sobre Buda, e acho,...
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