Vivendo com um estranho

Talvez a mais profunda razão pelo qual temos medo da morte é porque não sabemos quem somos. Acreditamos em uma identidade pessoal, única e separada – mas se ousarmos examiná-la, descobriremos que essa identidade depende inteiramente de uma coleção sem fim de coisas: nosso nome, nossa “biografia”, nossos parceiros, família, lar, emprego, amigos, cartões de crédito… É no suporte frágil e transitório dessas coisas que confiamos nossa segurança. Então, quando elas são retiradas, teremos alguma idéia de quem realmente somos? Sem nossos suportes familiares, ficamos cara-a-cara com nós mesmos, uma pessoa que não conhecemos, um incômodo estranho com quem estivemos vivendo todo o tempo mas que nunca realmente quisemos encontrar. Não é por causa disso que ficamos tentando preencher cada momento com barulho e atividade, tanto triviais quanto enfadonhos, para garantir que nunca sejamos deixados sozinhos em silêncio com esse estranho?

Sogyal Rinpoche, “O Livro Tibetano do Viver e do Morrer”. Tradução da newsletter Tricycle’s Daily Dharma, de 13 de Agosto, 2006.

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Comentários

  • Fatima Fonseca: Texto muito bonito, principalmente quando diz…Uma gota...
  • Janaina Bueno: Gostaria muito de connhecer melhor o Budismo Tibetano, moro no...
  • luiz sergio: Onde podemos encontrar a plena lucidez,a plena atenção, o amor,...
  • Lucas: Maravilhoso esse texto, expressou todo meu pensamento sobre Deus! Como...
  • Cléber A. Vianna...: Sou dicipulo de BUDDHA, praticante quero fazer amigos...
  • luiz sergio: E se estamos a todo o momento com a atenção voltada para a...
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