Em certo ponto, sentimos que entender essa teoria do vazio não é difícil. Apesar de tudo, aquilo que discrimina, pensando “isso é certo, isso é errado”, o “eu” que está tentando se encontrar ou rastrear o ego, também não é uma coisa tangível que pode ser isolada. O ego apenas parece existir. Ele causa uma impressão, como se existisse um ego, mas ao mesmo tempo o chamado “eu” é, na verdade, impossível de encontrar.
Isso é OK por si mesmo. Temos uma compreensão intelectual do vazio, mas podemos nos enganar, entendendo isso como se fosse genuína realização, quando não é nada mais que teoria. Praticamos essa idéia em nossa meditação, solidificando as teorias e… nada mais acontece. Anos podem se passar. Podemos achar muito difícil progredir além dessa compreensão intelectual e nos tornamos deprimidos. …
Esse é um problema bem sério, um obstáculo bem grande. De fato, é o maior erro que podemos cometer. É por isso que coloco tanta ênfase no fato de que é extremamente importante, agora mesmo, ganhar alguma certeza pessoal, alguma confiança prática na visão, no estado desperto livre de construções mentais. Isso é o que realmente conta. Mas pode exigir alguma preparação.
Além da teoria do vazio
Chökyi Nyima Rinpoche, em “The Bardo Guidebook“.