A vida é como um piquenique

A vida é como um piquenique em uma tarde de domingo — ela não dura muito tempo. Só olhar o sol, sentir o perfume das flores ou respirar o ar puro já é uma alegria. Mas se tudo o que fazemos é ficar discutindo onde pôr a toalha, quem vai sentar em que canto, quem vai ficar com o peito ou a coxa do frango…, que desperdício! Mais cedo ou mais tarde o tempo fecha, a tarde cai e o piquenique acaba. E tudo o que fizemos foi ficar discutindo e implicando uns com os outros. Pense em tudo que se perdeu.

Você pode estar se perguntando: se tudo é impermanente, se nada dura, como pode alguém viver feliz? É verdade que não podemos, de fato, agarrar ou nos segurar às coisas, mas podemos usar esse conhecimento para olhar a vida de modo diferente, como uma oportunidade muito breve e rara. Se trouxermos à nossa vida a maturidade de saber que tudo é impermanente, vamos ver que nossas experiências serão mais ricas, nossos relacionamentos mais sinceros, e teremos maior apreciação por tudo aquilo que já desfrutamos.

Também seremos mais pacientes. Vamos compreender que, por pior que as coisas possam parecer no momento, as circunstâncias infelizes não podem durar. Teremos a sensação de que seremos capazes de suportá-las até que passem. E com maior paciência seremos mais delicados com as pessoas a nossa volta. Não é tão difícil manifestar um gesto amoroso quando nos damos conta de que talvez nunca mais estaremos com a nossa tia-avó. Por que não deixá-la feliz? Por que não dispor de tempo para ouvir todas aquelas histórias antigas?

Chegar à compreensão da impermanência e ao desejo autêntico de fazer os outros felizes nesta breve oportunidade que temos juntos, constitui o começo da verdadeira prática espiritual. É esse tipo de sinceridade que efetivamente catalisa a transformação em nossa mente e em nosso ser.

Não precisamos raspar a cabeça nem usar vestes especiais. Não precisamos sair de casa nem dormir em uma cama de pedras. A prática espiritual não requer condições austeras — apenas um bom coração e a maturidade de compreender a impermanência. Isso nos fará progredir.

Chagdud Tulku Rinpoche, em “Portões da Prática Budista“.

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2 Comentários

  1. Luiz Braga Neto
    Escrito em: 27 de agosto de 2009, às 20:14 | Permalink

    o piquenique não é estranho; o estranho é a interpretação do fato. Quando vemos um filme, nem todos os que o assistem, sentem da mesma forma e nem poderiam né? Cada um de nós pensa e age de uma maneira particular. A vida realmente pode ser comparada a um piquenique, só que alguns querem ganhar dinheiro com ele, outros ao invés de comer as guloseimas, querem fazer sexo com as crianças presentes, outros querem roubar a comida para levar pra casa e outros querem simplesmente destruir tudo pois, não gostam de ver ninguém se distraindo ou feliz. Quando a gente não vai a praia, não significa que ela não está lá. Significa que nós não podemos ir ou não queremos. Todo fato ou acontecimento tem sempre interpretações diferentes, como por exemplo: é dando que se recebe, mas posso também dizer que é dando que se engravida. O que faz uma coisa ser ou não ser o que ela pode ou deve ser, é você e não a coisa. Um piquenique pode ser legal para quem gosta ou babaca para quem não gosta. Só depende de nós. O budismo, assim como as antigas religiões pagãs oriundas da Europa e África, nos ensina que não há a quem agradecer por algo bom e também não há a quem culpar por algo ruim, porque tudo o que nos acontece é porque nós permitimos; se o governo faz isso ou aquilo e se a vida aqui ou acolá é melhor ou pior é porque assim as pessoas quiseram para o bem ou para o mal delas mesmas.

  2. Jorge AFJ
    Escrito em: 18 de abril de 2011, às 23:02 | Permalink

    Luiz, você não entendeu a essência do texto. Leia de novo …

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Comentários

  • Fatima Fonseca: Texto muito bonito, principalmente quando diz…Uma gota...
  • Janaina Bueno: Gostaria muito de connhecer melhor o Budismo Tibetano, moro no...
  • luiz sergio: Onde podemos encontrar a plena lucidez,a plena atenção, o amor,...
  • Lucas: Maravilhoso esse texto, expressou todo meu pensamento sobre Deus! Como...
  • Cléber A. Vianna...: Sou dicipulo de BUDDHA, praticante quero fazer amigos...
  • luiz sergio: E se estamos a todo o momento com a atenção voltada para a...
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