No centro dos ensinamentos de Buda está a doutrina do anatman, ou “não-eu”. Ela não nega que a noção de um “eu” funcione no cotidiano do mundo. De fato, precisamos de um ego sólido e estável para atuar na sociedade. Contudo, o “eu” não é real no sentido último. É um “nome”: uma construção fictícia que não guarda nenhuma correspondência com o que existe de verdade. Devido a essa separação todos os tipos de problemas surgem.
Uma vez que nossas mentes criaram a noção do “eu”, ele se torna nosso ponto de referência central. Nos apegamos e nos identificamos com ele totalmente. Tentamos atender ao que parecem ser o seus interesses, defendê-lo contra ameaças reais ou ilusórias. E procuramos auto-afirmação a todo momento: confirmação de que existimos e somos valorizados. O Nó Górdio das preocupações que surgem de tudo isso nos absorve exclusivamente, às vezes ao ponto da obsessão.
Este é, contudo, um estreito e apertado modo de ser. Embora não possamos ver quando estamos em meio às convoluções do ego, há algo em nós que é muito maior e profundo: um jeito de ser totalmente diferente.
Não-eu
John Snelling, em “Elements of Buddhism”.
Tricycle’s Daily Dharma, 19 de janeiro.