“… suponham que houvesse uma lança com a lâmina bem afiada e um homem chegasse pensando: ‘Com a mão ou o punho eu entortarei essa lâmina afiada da lança, irei dobrá-la em dois e enrolá-la.’”
“O que vocês pensam? Com a mão ou o punho seria esse homem capaz de entortar essa lâmina afiada da lança, dobrá-la e enrolá-la?”
“Não, senhor. Por que isso? Porque uma lâmina afiada de uma lança não é fácil de ser entortada, dobrada, ou enrolada. O homem simplesmente experimentaria irritação e cansaço.”
“Da mesma forma, bhikkhus *, quando um bhikkhu cultivou e desenvolveu a libertação da mente através do amor-bondade, fez dela o seu veículo, a sua base, estabilizou-a, se exercitou nela e aperfeiçoou-a, se algum ser não humano quiser controlar a mente dele, experimentaria só irritação e cansaço.”
“Portanto, bhikkhus, assim vocês deveriam praticar: ‘Nós cultivaremos e desenvolveremos a libertação da mente através do amor-bondade, faremos dela o nosso veículo, a nossa base, estabilizá-la-emos, nela nos exercitaremos e aperfeiçoá-la-emos.’ Assim é como vocês devem praticar.”
A Lança
Buda Shakyamuni, no Satti Sutta, Samyutta Nikaya XX.5.
Disponível no Acesso ao Insight.
* bhikkhu: monge budista