[...] No estado noturno do sonho, a percepção está sujeita à ilusão, como durante o dia. A consciência iludida vaga entre formas, sons, odores, sabores e contato — as mesmas percepções vivenciadas durante o dia, exceto que agora elas são ainda mais alucinatórias. Ao dormir, a pessoa vê apenas ilusões e fábulas.
Na verdade, os ensinamentos dizem que nós mesmos também somos como ilusões e sonhos. Obviamente, pensamos que um sonho é algo irreal quando comparado à vida desperta, que encaramos como verdadeira. Para budas, contudo, os sonhos e as percepções durante o dia estão no mesmo nível. Nenhum corresponde à realidade. Ambos são falsos — flutuando, impermanentes, enganadores — e nada mais.
Se olharmos para todas as coisas que já fizemos e vivenciamos desde nosso nascimento até agora, onde estão? Não há nada a ser encontrado. Tudo passa, tudo está em fluxo constante. É óbvio que isso é verdade, e ainda assim isso frequentemente nos escapa. Constantemente lidamos com nossas percepções como se elas fossem realidades permanentes, pensando: “Isto sou eu, isto é meu”. Mas os ensinamentos nos dizem que tudo isso é um erro, e é exatamente aquilo que nos faz vagar no samsara.
A ilusão dos sonhos
Dudjom Rinpoche em “Counsels From My Heart”.