Na presença de mestres espirituais, ouvindo seus ensinamentos, você pode perceber que é relativamente fácil sentir fé e confiança. Mas a mente é instável, e sua fé recém-nascida é frágil, podendo facilmente sucumbir às circunstâncias em mudança do samsara*. Quando a fé falha, sua prática vai estagnar.
A fé, assim, precisa ser nutrida, e a melhor maneira de alimentá-la e revivê-la é contemplar a bondade e a compaixão dos mestres e do Dharma, comparando essa perfeição com a natureza insatisfatória do samsara.
Se você coletasse todas suas lágrimas derramadas em vidas passadas, elas iriam formar um vasto oceano. Se você empilhasse todos corpos que já teve — mesmo apenas os corpos de renascimentos como insetos — a pilha seria maior que a mais alta montanha.
Com a ajuda de tais imagens, contemple a terrível cegueira de sua compulsão em mergulhar no samsara, e tente no lugar disso ver o samsara como uma prisão terrível de onde você deve tentar se libertar.
Para manter viva a fé
Dilgo Khyentse Rinpoche, em “The Hundred Verses of Advice“.
* samsara: cadeia de renascimentos, onde ignorância e ilusão predominam.