Assim como em uma noite escura, com nuvens negras, O relâmpago brilha e tudo aparece claramente, Do mesmo modo, raramente, pelo poder dos Budas, Surgem pensamentos virtuosos, breves e transitórios, no mundo. Shantideva Caminho do Bodhisattva 1 | 5
Aqui, Shantideva usa a imagem das profundas trevas de uma noite não-iluminada por nenhuma lua, quando o céu está coberto por nuvens grossas que escondem as estrelas. De repente, por uma fração de segundo, tudo é iluminado por um clarão de luz.
A situação presente dos seres é, de fato, como uma noite dessas, já que o sol da sabedoria primordial onisciente não brilha. É um estado de profunda obscuridade, já que os seres estão ignorantes sobre o que devem fazer e o que devem evitar. O céu ainda é coberto por mais nuvens: os obscurecimentos trazidos pela presença na mente dos cinco venenos.
É em circunstâncias assim — com a junção de dois fatores: a luz da bodhichitta e da aspiração dos Budas, e o mérito dos seres acumulado no passado — que pensamentos virtuosos surgem muito ocasionalmente na mente de seres ordinários, mundanos, obscurecidos como estão pela nuvem da ignorância.
Tais pensamentos virtuosos são simplesmente o desejo ou vontade de fazer algo bom e positivo. São impulsos flutuantes e não acontecem com frequência (talvez um a cada cem ou dois a cada mil). São extremamente raros.
Então se o estado mental de realmente querer fazer algo bom ocorrer, você deve fazer como um cego que conseguiu pegar o rabo da vaca. Deve decidir nunca mais perder isso e aprimorar mais e mais. Não pergunte a seu pai. Não discuta com sua mãe. Não deixe outros decidirem por você. [...]
Diga a você mesmo: “Vou realmente praticar o Dharma sagrado”. E, uma vez que a promessa foi feita, deve ser cumprida!
Clarão na noite escura
Kunzang Pelden, em “The Nectar of Manjushri’s Speech” (livro que reúne os ensinamentos de Patrul Rinpoche sobre o Bodhicharyavatara)