A parte externa dos solos sepulcrais sempre desempenhou um papel importante na prática tântrica, mas os praticantes não precisam ir lá de fato, porque suas qualidades podem ser encontradas em toda parte, uma vez que nos tornemos sintonizados com seu simbolismo.
Os cadáveres desmembrados, a carne e o sangue, os crânios, os ossos, os órgãos internos e a pele esfolada representam tudo o que preferiríamos evitar. Revelam as áreas que nos repugnam e nos revoltam, e as partes secretas e sensíveis que não queremos olhar ou expor.
Aqui encontramos tudo o que rejeitamos como não tendo nada a ver com nossa natureza espiritual, mesmo assim é a fonte bruta de nossa energia, e deve ser reconhecida e aceita.
O pensamento desse ambiente terrível, com todas as suas vívidas percepções sensoriais de visão, som e olfato, produz uma consciência aguda da impermanência; da contínua presença da morte na vida; e de como a beleza, o prazer e a perfeição mundanas podem se transformar nos seus opostos a qualquer momento.
O mundo é nosso solo sepulcral, onde tudo está continuamente morrendo e renascendo. Mas é um lugar de renascimento, assim como é um lugar de morte; é o solo da transmutação.
Morte, meditação e transmutação
Francesca Fremantle, em “Vazio Luminoso“