[...] Mesmo que samsara e nirvana, aceitação e rejeição, adoção e repúdio tenham aparência de fenômenos distintos, sua realidade última não-referencial — que não pertence a nenhum extremo do samsara ou nirvana — jamais sai do estado de perfeita igualdade.
Se alguém compreende essa realidade última, automaticamente experimenta — como os Budas e Bodisatvas — uma grande compaixão por todos que não tenham essa realização.
Embora essa pessoa corretamente discrime entre a prática da virtude e a distância do mal, não há necessidade de considerar aquilo que se aceita ou repudia (ou qualquer outro ponto de referência) como tendo uma realidade absoluta.
Por outro lado, o fato de que nada disto existe no nível absoluto não significa que não exista no nível convencional. Esses dois níveis não são antagônicos. O que não existe no nível absoluto são, justamente, os fenômenos convencionais. Sem tais convencionalidades, não haveria algo como uma realidade última.
Assim, para aqueles que compreendem que um fenômeno e sua natureza última não estão em contradição, se manifesta um amor e compaixão de natureza não-referencial.
Caminho verdadeiro do Mahayana
Jamgön Mipham Rinpoche (1846-1912)
“Introduction to the Middle Way”