A questão central sobre a morte, existente em todas as tradições religiosas, é: quem é que morre? Jesus fala em ter de “morrer” para ganhar a vida eterna. Da mesma maneira, Buda disse que tinha atingido o “estado sem morte”, também chamado de “estado não-nascido”. Quem é que “não morre”?
Referências a um “estado sem morte” e a uma “vida eterna” nas tradições religiosas do mundo levantam uma questão a respeito das suposições materialistas tidas como certas no Ocidente. Somos inevitavelmente vítimas da morte?
As tradições espirituais apontam para uma realidade mais profunda na qual a vida após a morte é flexível. Quem é que morre? Enquanto me identificar com este corpo, eu vou morrer. Se eu me identificar com minha inteligência, minha educação, talentos e realizações, desejos, imaginação, projetos, empreendimentos, pensamentos e memórias, eu vou morrer. Todos os eventos mentais dependentes do sistema nervoso humano cessarão quando o sistema nervoso morrer. Sua mente e sua inteligência, dependentes do cérebro, morrerão quando o cérebro morrer.
O que não é dependente do corpo não pode morrer. Aquilo a que o Buda se refere como “sem morte” é a consciência pura — ampla, vívida e atenta, sem se agarrar ou se identificar –, a conscientização livre da identificação com o corpo e que observa as sensações surgirem e passarem, que observa os eventos mentais e os sentimentos, que observa todos os fenômenos surgindo e passando no espaço como nuvens que se dissolvem no céu. Se eu não estou identificado com este corpo, com as memórias, desejos ou sentimentos, quem morre?
B. Alan Wallace (EUA, 1950 ~)
“Budismo com Atitude”

Um Comentário
Algo curioso e estarrecedor persiste nos ensinamentos que consideram o humano apenas um animal inteligente, nada além disso, e com o mesmo destino reservado aos animais irracionais se nada for feito no sentido de sua iluminação.
É espantoso que tantos sábios iluminados tenham chegado à conclusão de que: “todos os eventos mentais dependentes do sistema nervoso humano cessarão quando o sistema nervoso morrer. Sua mente e sua inteligência, dependentes do cérebro, morrerão quando o cérebro morrer”.
Pode ser que em tempos passados tais teorias fossem a fina flor do conhecimento exato tanto no oriente quanto no ocidente, haja vista tais pensamentos até nas antigas Escrituras Hebraicas, mas atualmente, ou melhor, desde o século retrasado, as pesquisas espiritualistas mostram que, se apenas os iluminados continuam conscientes após a morte, não há a mínima esperança de salvação, mesmo a longuíssimo prazo, para a sofrida humanidade.
O que nos dizem aqueles que nos precederam desde os rincões do mundo invisível que nos cerca? Que continuamos a mesma pessoa, com os mesmos hábitos, gostos, preferências, habilidades e aptidões depois do sono da morte. Que o mundo espiritual é formado por pensamentos afins e que a “casa do Pai” tem inúmeras mansões para todos os gostos e preferências. E que depois de cumprirmos nossos dias no além, ou continuamos de glória em glória como ensina Paulo, ou precisaremos enfrentar de novo o fogo da reentrada na matéria.
Prefiro crer nos ensinos espiritualistas, rigorosamente de acordo com os fatos pesquisados. E você?