Vida após vida, quer acordados ou sonhando, nas nossas tentativas de encontrar satisfação, reforçamos a ideia do “eu”. Mas, se o egocentrismo trouxesse felicidade, já estaríamos iluminados.
Concentrarmo-nos em nós mesmos serve apenas para alimentar o apego e a aversão. Por ignorarmos o que é bom ou ruim para nós ou para os demais, agimos com desejo ou raiva, cometendo um erro após o outro. Vivemos a ignorância, o apego e a aversão de tantas maneiras e por tantas vidas que elas parecem naturais e inseparáveis de nós.
Não temos liberdade, pois somos impotentes diante do processo infindável de ação e reação e suas consequências. Podemos encontrar algum contentamento, mas quando o carma que o sustenta se exaure, os frutos de outras ações negativas amadurecem, a felicidade se dissipa e é substituída pelo sofrimento. Isso acontece com todos os seres.
[...] O segredo para acabar com o sofrimento e encontrar paz está na transformação da mente: remover a nossa negatividade, incrementar as nossas qualidades positivas e revelar a nossa verdadeira natureza.
[...] A natureza da mente nunca acaba ou se modifica, sempre esteve conosco. O que resta, depois que o minério é refinado, é o ouro puro. Assim também, o que resta depois deste processo de depuração, que chamamos de caminho espiritual, é a fruição de nossa verdadeira natureza, totalmente revelada.
Verdadeira natureza revelada
Chagdud Tulku Rinpoche (Tibete, 1930 – Brasil, 2002)
“Para abrir o coração“, II | 10