Eu e outro

[...] não há a menor razão para afirmar que a noção de “eu” deve ser aplicada a mim e não a outro. “Eu” e “outro” não são nada mais que uma questão de conceitos rotulados. O meu “eu” é o “outro” para outra pessoa, e quem para mim é o “outro” é o “eu” de outra pessoa.

As noções de “aqui” e “lá” são meros pontos de vista, designados pela mente, um em dependência do outro. Não há algo como um “aqui” absoluto ou um “lá” absoluto. É apenas uma questão de atribuição. E, assim, sobre esse ponto crucial, o Dharma ensina que quando o “eu” é atribuído como sendo os outros — especificamente, seres sencientes — a atitude de aceitá-los e vê-los como nós mesmos vai surgir naturalmente.

É assim que Budas e Bodisatvas reivindicam os seres sencientes como sendo eles mesmos, do modo explicado acima. Então, mesmo a mais leve dor dos outros, para eles é como se todos os seus corpos estivessem em chamas. E eles não têm a menor hesitação nisso, como quando Buda afirmou ser o cisne que Devadatta derrubou com uma flecha.

Kunzang Pelden (Tibete, 1872-1943)
“The Nectar of Manjushri’s Speech”, 8| 93

Leia mais sobre esse assunto em:
- Expansão da consciência

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