Agora vivemos contaminados pela infecção do “eu-meu”, uma doença causada pela ignorância. Nossa atitude autocentrada e nossos pensamentos de auto-importância tornaram-se hábitos muito fortes. A fim de mudá-los, precisamos alterar o nosso foco. Em vez de ficarmos preocupados com o “eu” todo o tempo, devemos redirecionar a atenção para “você” ou “ele” ou “os outros”.
Com a redução da auto-importância, diminui também o apego resultante. Quando tiramos de nós mesmos o foco de nossa atenção, somos levados, ao final, a compreender a igualdade que há entre nós e todos os demais seres. Todos querem ter felicidade: ninguém quer sofrer. O apego à nossa própria felicidade amplia-se para se tornar um apego à felicidade de todos.
Até agora nossos desejos tenderam a ser muito superficiais, egoístas e imediatistas. Se tivermos que querer algo, então que seja nada menos do que a completa iluminação de todos os seres. Eis aí algo digno de ser desejado. Recordarmo-nos sempre do que verdadeiramente vale a pena querer é um importante elemento da prática espiritual.
Chagdud Tulku Rinpoche (Tibete, 1930 – Brasil, 2002)
“Portões da Prática Budista“, I |2

4 Comentários
podemos começar pelo amor aos seres sem exceção.podemos continuar amando os seres sem exceção.
O que se faz quando acontece o contrário, quando não nos centramos no "eu" e sim no "outro","outros";assim esquecendo de nós mesmos…e depois nos deparamos numa encruzilhada de desapego a si, como também desvalorização de si?
Rosi
Rosi, já ouvi ensinamentos dizendo que baixa auto-estima é apenas o outro lado do orgulho, assim como pobreza é só o outro lado da riqueza, mas as duas coisas se referem ao dinheiro. Da mesma maneira, tanto baixa auto-estima quanto orgulho se referem ao centramento no ego, em si mesmo.
e não se supera o ego com o ego. Mas com as qualidades insuperáveis que trazemos no peito coração… sublimes… e o benefício de praticarmos pelos seres e para o bem dos seres, nos lança neste caminho; se formos capazes de desejarmos com desprrendimento, amarmos com concentação suficiente no sentido da liberdade!
Roberta. (1° comentário tb.)