A moeda que tem valor

Nossas prioridades mundanas podem ser irônicas. Colocamos em primeiro lugar aquilo que julgamos ser o que mais desejamos; depois, descobrimos que o nosso desejar é insaciável. Pagar a casa, escrever um livro, fazer o negócio ser bem-sucedido, preparar a aposentadoria, fazer longas viagens — coisas que estão temporariamente no topo de nossa lista de prioridades consomem nosso tempo e energia completamente.

E, então, no fim da vida, olhamos para trás e nos perguntamos o que todas essas coisas significavam.

É como alguém que viaja num país estrangeiro e paga sua viagem na moeda daquele país. Quando chega à fronteira, se surpreende ao tomar conhecimento que a moeda do país não pode ser trocada ou levada.

Da mesma forma, nossas posses e aquisições mundanas não podem ser levadas através do portal da morte. Se confiarmos nelas, nos sentiremos, repentinamente, empobrecidos e roubados. A única moeda que tem qualquer valor quando viajamos pelo limiar da morte é nossa realização espiritual.

Chagdud Tulku Rinpoche (Tibete, 1930 – Brasil, 17/11/2002)
Vida e Morte no Budismo Tibetano

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2 Comentários

  1. César Al'ban
    Escrito em: 17 de novembro de 2009, às 17:33 | Permalink

    Muito bom post! Quando pensamos realmente em todos os nossos objetivos "mundanos" é que compreendemos o "vazio", hehehe… Parabéns!

  2. Emer
    Escrito em: 18 de novembro de 2009, às 3:23 | Permalink

    vlw Cesar! abs

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