Onde está o nirvana

Quando somos idealistas, nós — e muitos praticantes até de países budistas asiáticos — imaginamos que o nirvana existe em algum lugar bem alto nos Himalaias, reservado para monges que meditaram durante toda a vida. Meus próprios professores — e outros mestres maravilhosos como Shunryu Suzuki Roshi — enfatizam que o nirvana deve ser encontrado aqui e agora.

Nos cânticos da manhã e da noite no mosteiro da floresta, recitamos as palavras do Buda, para que o dharma da liberação esteja sempre presente, imediatamente, além do tempo, para ser vivenciado aqui e agora por todos que vêem com sabedoria.

O nirvana aparece quando deixamos ir, quando vivemos a realidade no presente. A tristeza surge quando a mente e o coração são pegos em cobiça, ódio e ilusão. O nirvana surge na ausência disso. O nirvana se manifesta como calma, como amor, como ligação, como generosidade, como claridade, como liberdade imperturbável.

Isso não é diluir o nirvana. Essa é a realidade da liberação que podemos vivenciar, às vezes em um momento e às vezes em maneiras transformadoras que mudam nossa vida inteira.

Jack Kornfield (EUA, 1945 ~)
“The Wise Heart”, Tricycle, verão 2008
(Tricycle’s Daily Dharma, 21/12/2009)

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