Quem nossas ofensas ferem

[…] Quando qualquer um de nós está no processo de ofender, difamar ou rebaixar alguma outra pessoa, independentemente das qualidades dessa outra pessoa, com esse mesmo ato ofensivo estamos revelando nossas próprias falhas.

Os próprios atos de xingar, desdenhar, falar mal e por aí vai, são maneiras de revelarmos nossos defeitos. Se você apertar uma cobra, seus membros — que costumam permanecer ocultos — irão ficar protuberantes. Do mesmo modo, assim que pressionamos alguém com ofensas, nossas próprias falhas ficam protuberantes.

Como seguidores do Buda, é inapropriado para nós continuar com essa tendência de ofender e falar mal. Quando atiramos as flechas do desprezo, a primeira pessoa que elas ferem somos nós mesmos. Palavras afiadas são como uma espada de dois gumes. Pensando “realmente tenho uma boa espada”, você pode elevar o sabre da sua fala, mas assim que recua para acertar alguém, a parte traseira te corta no meio.

Gyatrul Rinpoche (China, 1924 ~)
“Natural Liberation”, parte 2 | 5

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