No presente, quando ainda não somos totalmente realizados, nossa devoção ao professor balança e flutua como as fases da lua. Quando ele é gentil e fala de maneira agradável, sentimos tremenda devoção.
Mas no instante em que nos critica ou diz algo que achamos que não é bom, então nossa fé imediatamente desaparece. Ficamos irritados e estamos prontos para criticar e desacreditá-lo. Podemos até ficar com raiva e discutir com ele. Essa é a natureza da nossa frágil fé.
Por que é assim? Porque falta insight verdadeiro sobre a vacuidade. Quanto maior nossa compreensão da vacuidade, mais devoção e confiança naturalmente sentiremos em relação a seres realizados e ao Buda, Dharma e Sangha.
Neste momento, nossa visão da vacuidade é meramente uma construção mental, nada mais que uma ideia; nossa compaixão e devoção também são fabricadas e artificiais. No entanto, no momento em que amanhece em nós a realização da vacuidade com uma essência de compaixão todas essas qualidades se tornam genuínas. Assim como a água é naturalmente úmida e o fogo, quente, o verdadeiro insight sobre a vacuidade é naturalmente compassivo.
Vacuidade e devoção
Chokyi Nyima Rinpoche (Tibete, 1951~)
“Bardo Guidebook”