Há basicamente duas possibilidades: ou a pessoa é realizada ou está confusa. Se alguém é realizado, então é um buda; se está confuso, é um ser senciente.
Quais são os benefícios e motivos para concretizar a visão livre de erros? Ser realizado significa que a pessoa já compreendeu a não-existência do ego, então o apego ou fixação em uma entidade própria desmorona. Assim, tudo que está ligado a isso — as emoções perturbadoras e ações cármicas que impelem alguém a continuar no samsara — cessa.
Realização significa que a pessoa é libertada do samsara e, ao mesmo tempo, é dotada com muitas sublimes qualidades iluminadas. Uma pessoa iluminada ou realizada se torna um exemplo daquilo ao qual outras pessoas podem aspirar, respeitar e aprender. É por isso que as Três Jóias são consideradas algo para se tomar refúgio, são objetos dignos de confiança.
Por outro lado, seres confusos, não-realizados ou que estão segurando a noção de um ego, consequentemente, irão provocar o surgimento de emoções perturbadoras e ações cármicas, criando assim sofrimento a ser vivenciado nos diferentes reinos da existência samsárica.
Refletindo sobre isso, não podemos evitar sentir compaixão. Todos os fenômenos do samsara e nirvana são, de modo último, primordialmente e inteiramente puros. No estado natural da essência, não há coisas como nascimento, vida, morte, alegria, tristeza e tudo mais. Não é preciso dizer mas, de modo último, mesmo essas palavras são completamente não existentes.
Todos os seres sencientes estão iludidos. Eles não se dão conta do estado natural da vacuidade, livre de fabricação, além do surgimento, permanência e cessação. Suas mentes são capturadas pela fixação, eternamente aprisionadas nessa experiência dualista vazia. Pensando nisso, não podemos evitar de sentir compaixão pelos seres que vagam pelo samsara.
Confusão e realização
Chokyi Nyima Rinpoche (Tibete, 1951~)
“Bardo Guidebook”