A deidade Avalokiteshvara, ou Chenrezig (detalhe de thangka de Romio Shrestha)
Ao receber a benção do corpo do guru na primeira iniciação, todos os obscurecimentos, máculas e impurezas dos canais são purificados. Recebemos a Iniciação do Vaso, que nos transmite poder para meditar no estágio do desenvolvimento, ou Kyérim — em outras palavras, meditar em uma deidade.
Podemos perguntar: qual o sentido de meditar em deidades? Esse tipo de meditação nos permite compreender que todas as aparências são primordialmente puras: o universo é um campo búdico e todos os seres são dakas e dakinis, manifestações do guru; todos os sons são a ressonância natural de mantras; e todos os pensamentos são movimentos da sabedoria.
Na nossa condição atual, somos enganados pelas aparências, no sentido de que sempre que vemos formas belas, somos atraídos por elas, e quando vemos formas feias, sentimos rejeição ou repulsa. Esse é exatamente o motivo de estarmos vagando pelo samsara.
Através da prática de Kyérim, a percepção pura irá surgir, e esse é um sinal de que a ilusão foi dissipada. Na verdade, o que está sendo simplesmente revelado é o estado natural das coisas; por exemplo, que os cinco elementos são os budas femininos das cinco famílias, e que os cinco agregados são os budas masculinos.
Meditação na deidade
A deidade Avalokiteshvara, ou Chenrezig (detalhe de thangka de Romio Shrestha)
Dilgo Khyentse Rinpoche (Tibete, 1910 – Butão, 1991)
“Guru Yoga”